Cerveja pilsen lidera gosto dos mineiros

Bebida diferenciada fica com pequena fatia do mercado, mas especiais e artesanais ainda têm espaço para crescer.

BIANCA MELO

 

O mercado mineiro de bebidas consagrou a cerveja pilsen como a preferida entre todas as opções. Nem mesmo o esforço das empresas para lançar cervejas diferenciadas e mais sofisticadas conseguiu resultados expressivos nas vendas de outros tipos de cerveja. No caso da Ambev, por exemplo, controladora de 67,9% do mercado de cervejas do país, as bebidas premium equivalem a 5,6% do total de cervejas. Houve
um grande crescimento em relação a 2001, quando este percentual era bem menor:
2,6%.“O mercado de cervejas especiais ainda é muito incipiente, mas há uma determinação de investir mais neste segmento em
função da demanda crescente das classes A e B para produtos iferenciados,” afirma o gerente de Comunicação Corporativa da
Ambev, Alexandre Loures.

Inverno
O gosto pelas cervejas tradicionais está de tal jeito arraigado que mesmo com as temperaturas mais frias deste ano, os adeptos da cerveja não mudaram de bebida.
“Continuo tomando cerveja, mas acrescento um conhaque para esquentar,” revela o publicitário Alfredo Portírio, 43. Ele frequenta bares pelo menos quatro vezes por semana.
Muitos consideram, assim como a pesquisadora de opinião Patrícia Gonçalves,
32, que não há momento certo para tomar cerveja. “A única diferença é que no verão costumo tomar quatro garrafas por noite e
no inverno, reduzo uma garrafa.” por semana apresentam uma pequena queda para 18 no inverno.
“As pessoas que tomam
cerveja não trocam a bebida nesta época,”disse.

O comerciante Amarildo Alves da Costa, o “careca” do bar que leva seu nome no bairro Cachoeirinha, em Belo Horizonte, explica que as vendas médias de 20 caixas. O presidente do Sindicato dos Bares e Restaurantes de Minas, Paulo César Pedrosa, acredita que as cervejas especiais só não vendem mais devido a pequena oferta.“As cervejas consideradas de inverno, como as ’bock’, demoram a chegar nos bares,” afirma.
De acordo com ele, a distribuição mais intensa só começa no meio do ano,
mas o ideal era que iniciasse em abril.

Ocasiões

O gerente de Comunicação Corporativa da Ambev, Alexandre Loures, acredita que
as pessoas descobriram aos poucos outras ocasiões para se tomar a bebida. “Toma-se
muita cerveja no Brasil entre amigos no bar, mas existem outros momentos, como o
jantar romântico e a refeição.”


Grupo de amigos não perde a oportunidade de se reunir para um bate-papo regado a bastante cerveja em um bar no edifício Maletta, centro de BH

Lançamento é inspirado em receita belga

 

O ritmo de lançamento de novas
cervejas é cada vez mais celerado.
Nas próximas semana, deve chegar a Belo Horizonte a nova Boehmia Confraria. A bebida, segundo a Ambev, será uma edição limitada inspirada em registros e receitas históricas dos mosteiros belgas.
A empresa informou que a nova cerveja terá uma elevada fermentação, com teor alcoólico
de 6,2%, acima da média de 4%
a 5% das cervejas pilsen. A mesma Ambev lançou em São Paulo há menos de um mês a cerveja

Premium Stella Artois, também
baseada em receita belga. A versão
já é comercializada em 80 países. Os mineiro terão que esperar
um pouco mais para saborear
a bebida, que só deve chegar
a Belo Horizonte no final do ano.
A Xingu, cerveja escura do tipo
premium, da marca Kaiser, acaba
de lançar a campanha com
o slogan “Tudo menos o óbvio”
para reforçar a especialidade da
cerveja. No texto de apresentação
do novo slogan, afirma que é
“pouco” rotular a Xingu como
“mais uma escura.” (BM)

Produção da Falke Bier subirá para 5.000 litros O mercado de cervejas especiais e artesanais tem ainda muito espaço para crescer em
Minas, de acordo com o empresário Marco Antônio Falconi. Junto com dois irmãos, ele inaugurou a microcervejaria Falke Bier, em Ribeirão
das Neves, na Grande Belo Horizonte, em julho do ano passado. “É uma cerveja diferenciada e voltada para um público específico.” Em pouco
mais de um ano, a fábrica triplicou sua produção de cervejas para 3.000 por mês. A Falke Bier fornece a bebida em barris para nove restaurantes e bares de Belo Horizonte. Até o final do ano, deve ampliar o número de casas para 12 e a produção para 5.000 litros mensais. “Se produzíssemos 10 mil litros, venderíamos tudo porque o público é fiel. Percebemos que havia um mercado reprimido.” Ele não pensa, por enquanto, em levar a produção para outras cidades. “Seguimos a tendência de pequenas cervejarias européias com a produção próxima do centro consumidor, o que garante uma cerveja sempre nova e saborosa,” explica. A cerveja, vendida como chope, é mais encorpada e fabricada sem o uso de cereais não maltados. O empresário buscou na Alemanha o aperfeiçoamento da técnica, que aprendeu inicialmente
para fabricar cerveja para consumo da própria família. Em julho deste ano, ele iniciou as vendas da cerveja
preta Ouro Preto, que já representam 10% do volume total. (BM)
 



BH tem um bar para cada 172 pessoas

 

 
Se a falta de mar em Minas
acaba levando ao bar, como
dizem os boêmios, opções não
faltam. O presidente do Sindicato
de Bares e Restaurantes,
Paulo César Pedrosa, afirma
que a capital tem cerca de 10
mil estabelecimentos e mais
cerca de 3.000 clandestinos, o
que dá uma média de um bar
para cada 172 pessoas.
No Estado o número total
ultrapassa os 150 mil, o
que deixa Minas na sétima
posição entre os maiores
consumidores de cerveja do
país com consumo per capita
de 50,6 litros anuais por
pessoa, segundo dados do
Sindicato Nacional da Indústria
da Cerveja (Sindicerv).
O maior mercado

consumidor é o Rio de Janeiro,
com 90,4 litros por
pessoa a cada ano.
Já nas contas da Ambev,
Minas está entre as quatro
primeiras, ao lado de Rio e
Janeiro, São Paulo e Bahia. A
cerveja mais vendida em Belo
Horizonte é a Skol, marca que
representa 52,2% das vendas
totais da Ambev. Em seguida
vem a Brahma (22,7%), Antártica
(6,4%) e Bohemia
(1,5%).
Na turma da publicitária
Ana Paula Utsch, 25, formada
por jovens entre 20 e 30 anos,
todos consomem em média R$
50 por semana só de cerveja.
“Não gosto tanto de cinema e
teatro. Acaba sobrando o bar
como opção de lazer.” (BM)

O empresário Marco Antônio Falconi afirma que consumidor da cerveja artesanal, vendida como chope, é fiel