Unanimidade verde e amarela


Por Pablo Pires

Cerveja é quase uma unanimidade entre os brasileiros. Até bem pouco tempo, para se tomar uma cerveja, o bebedor tinha que se contentar com as tradicionais pilsen, cuja variação é bastante pequena considerando que a bebida é a mais antiga do mundo e, fora daqui, a oferta é gigantesca. Felizmente hoje não é mais assim. Com a entrada de marcas importadas, muitos abriram os olhos para uma fatia de mercado mais exigente e sofisticada que não se importa de pagar um pouco mais para ter um produto de melhor qualidade, com variação de sabor. Atualmente, Belo Horizonte possui várias cervejas brasileiras diferenciadas, algumas produzidas aqui, outras em outras cidades. Em Ribeirão das Neves, o empresário e mestre cervejeiro, Marco Antônio Falconi, montou a Microcervejaria Falke Bier, com padrão de qualidade europeu e que produz atualmente 3.000 litros da bebida por mês e atende a cinco pontos de consumo. "Quando fizemos o estudo de mercado, vimos que teria espaço para 20 microcervejarias em Belo Horizonte, o mercado é crescente", afirma. A cervejaria artesanal já prepara a expansão e diversificação de qualidade do produto para o próximo ano, já que a demanda não pára de aumentar. A microcervejaria Krug Bier, a primeira da cidade, possui hoje quatro variedades de chopp, todos produzidos em sua sede, no bairro Belvedere. A Bohemia, linha da Ambev que se propSe a ser a marca de ponta nas variações de cerveja, apostou nesse crescimento e lançou no primeiro semestre a Bohemia Weiss, feita de trigo ao estilo da Bavária, região do sul da Alemanha. Logo depois, lançou a Boehmia Escura (swartzbier) e, mais recentemente a Royal Ale.

Fonte: Jornal o Tempo 26/11/04


 

Eduardo Tristão Girão - EM Divirta-se
Pedro David

Uma pequena muda de lúpulo, crescendo sobre uma grande árvore, na porta da microcervejaria Falke Bier, em Ribeirão das Neves, é sinal de que ali a produção de cerveja vai bem. A fábrica, inspirada nas microcervejarias européias, produz a bebida saborosa e leve, de espuma cremosa, fina e consistente.
Há um mês, a empresa fornece seu chope artesanal à Mercearia do Lili, na capital, e tem conquistado clientes do local. "Várias pessoas já vão para o bar atrás do nosso chope. Além disso, alemães provaram a cerveja e disseram que é igual à que se toma na Alemanha", conta Marco Antônio Falcone, um dos três irmãos proprietários da marca.

A capacidade de produção da fábrica é de 5 mil litros de cerveja por mês, mas a meta, conforme explica Falcone, é atingir 2 mil mensais. "Nosso objetivo não é quantidade, e sim qualidade", afirma. O plano de expansão da marca prevê a distribuição da cerveja em mais dois restaurantes de Belo Horizonte, a serem definidos. Ele já recebeu vários convites de casas da cidade, interessadas em comercializar a bebida.

"Você deve deixar a cerveja escorrer pelos cantos da língua, engoli-la e soltar o ar pelo nariz, para poder sentir a alma do chope", ensina Falcone. O teor alcóolico da bebida é de 4%, o que, para ele, permite às pessoas degustarem com prazer e mais demoradamente, evitando que a cerveja fique "pesada". Depois de um gole, a espuma permanece por mais tempo na parede do copo, sinal de que a bebida foi feita com malte puro. Em relação à composição, a Falke utiliza apenas água, malte, levedura e lúpulo, dispensando elementos artificiais como conservantes.

Familiar

Há 15 anos, a família Falcone fazia cerveja caseira para consumo próprio, no sítio onde hoje está a fábrica. A idéia de comercializar a bebida foi amadurecendo lentamente. Após visitas a microcervejarias da Alemanha, Bélgica e Dinamarca, os irmãos Marco Antônio, Juliana e Ronaldo Falcone somaram conhecimento suficiente para iniciar o projeto.

O processo de produção da cerveja Falke, em relação às marcas industrializadas, destaca-se pela fermentação prolongada e uso de malte puro, sem adição de outros tipos de cereal. Depois de cozido por aproximadamente seis horas, o malte fermenta por 15 dias. "As cervejas industrializadas fermentam por um ou dois dias. Como o nosso processo é mais longo, mais gás carbônico é incorporado, deixando a cerveja mais leve", explica.

A empresa pretende fabricar também chopes de trigo e do tipo stout, como a cerveja irlandesa Guiness. "Chegamos a um padrão tão fantástico, que é difícil tomar outra coisa", diz. A área de lazer da família, no sítio onde é feita a cerveja, conta com uma chopeira para uso doméstico. Nos finais de semana, o local serve para reuniões dos parentes, regada a bastante Falke Bier.